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People Analytics no Recrutamento: Como Contratar Melhor e Mais Rápido

Escrito por Cristian Guedes | 14/01/2026
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Durante décadas, o recrutamento foi tratado como uma arte subjetiva. A decisão final sobre uma contratação muitas vezes recaía sobre o "feeling" do recrutador ou a "química" sentida durante a entrevista. Embora nossa intuição tenha seu valor, depender apenas dela é um risco financeiro que as empresas não podem mais correr. 

É aqui que o People Analytics revoluciona a área de Recursos Humanos (RH). A aplicação de estatística e análise de dados aos processos de gestão de pessoas reposiciona o recrutamento, que deixa de ser operacional e passa a ter impacto estratégico no negócio. 

A seguir, vamos explorar como utilizar dados para eliminar vieses, reduzir custos e prever quem serão os seus melhores talentos. 

 

O Que é People Analytics no Recrutamento? 

People Analytics não é apenas criar planilhas coloridas sobre o número de vagas abertas. Trata-se de coletar, organizar e analisar dados para entender correlações e prever comportamentos. 

No contexto de Talent Acquisition, o objetivo é responder a perguntas complexas com precisão matemática, saindo do nível descritivo para o preditivo: 

  • Descritivo: Quantas pessoas contratamos este mês? 
  • Preditivo: Quais candidatos têm maior probabilidade de alta performance nos primeiros 12 meses? 

 

Três Pilares Práticos para Melhorar o Processo de Recrutamento 

Implementar uma cultura orientada a dados não exige, necessariamente, uma equipe de cientistas de dados no dia zero. Comece focando nestas três áreas críticas:

Otimização do Sourcing (Origem dos Candidatos) 

Muitas empresas investem pesado em LinkedIn Ads, portais de vagas e agências, mas não sabem qual canal traz o melhor retorno sobre investimento (ROI). 

A abordagem Analytics 

Em vez de medir apenas o volume de currículos recebidos por canal, cruze essas informações com dados de performance futura. Se a análise mostrar que seus desenvolvedores de melhor desempenho ("Top Performers") vieram, historicamente, de indicações internas, você já tem um insight claro: poderia redirecionar o orçamento de anúncios externos para programas de indicação estruturados. 

 

Triagem Inteligente e Redução deVieses

viés inconsciente é um dos maiores inimigos da diversidade e da qualidade técnica. Muitas vezes, bons candidatos são descartados logo no início por filtros que não têm correlação real com o sucesso na vaga (como a exigência de faculdades específicas). 

A abordagem Analytics 

Utilizar dados históricos para verificar quais Hard Skills e Soft Skills realmente impactam a performance. Se os dados mostram que a formação acadêmica não influencia a nota de performance dos seus programadores sêniores, remova esse filtro. Isso amplia seu funil e aumenta a diversidade. 

O resultado é um funil mais amplo, mais diversos e, frequentemente, mais qualificado. 

 

Previsão de "Quality of Hire" (qualidade da contratação) 

Esta é a métrica mais importante. Contratar rápido é bom, mas contratar alguém que performa bem e permanece na empresa é ainda mais relevante. 

A métrica Quality Of Hire (qualidade da contratação) (QoH) pode ser modelada como uma função composta por várias variáveis: 

 

 

Onde: 

  • P = Performance do novo contratado no primeiro ano (Como o gestor avaliou esse colaborador?). 
  • R = Retenção (o colaborador permaneceu após 12 meses?). 
  • S = Satisfação (o fit cultural e o engajamento do colaborador se adequou a empresa?). 

 

Ao monitorar o QoH constantemente, o RH pode ajustar o perfil ideal de candidato quase em tempo real. 

Exemplo Prático 

 Imagine dois cenários distintos.  

Cenário 1 – Mariana (Desenvolvedora Sênior) 

 Você contratou a Mariana para uma vaga de Desenvolvedora Sênior. Após 12 meses, estes são os dados coletados: 

  1. Performance (P): o gestor dela deu nota 9.0 na avaliação anual, pois ela entregou todos os projetos no prazo. 
  1. Retenção (R): ela continua na empresa após 12 meses. Pontuação: 10.0. 
  1. Satisfação (S): nas pesquisas de clima, a média das respostas dela foi 8.0. 

Com esses resultados, o cálculo seria: 

 

Conclusão por Analytics: Mariana foi uma contratação excelente (Score 9 de 10). 

 O RH deveria investigar: De onde veio a Mariana? 

Se ela veio de uma indicação interna, isso reforça que o canal de "Indicação" traz candidatos de alto QoH. 

 

Cenário 2 – Carlos (Arquiteto de Software) 

Agora, vamos ver o caso do Carlos, contratado para Arquiteto de Software.  

Tecnicamente ele é muito bom, mas não se adaptou muito bem à cultura. 

  1. Performance (P): entregou bem tecnicamente. Nota do gestor: 8.0. 
  1. Retenção (R): pediu demissão no 7º mês porque recebeu uma oferta melhor. Como não completou o ciclo de 1 ano, a pontuação cai. Vamos atribuir proporcionalmente: 5.0. 
  1. Satisfação (S): reclamava constantemente da burocracia da empresa. Média das pesquisas: 4.0. 

Com esses resultados, o cálculo seria: 

 

Conclusão por Analytics:  apesar de ter boa técnica (nota 8), o Carlos foi uma contratação de qualidade média/baixa (Score 5.7). Ele gerou custo de recrutamento, custo de treinamento e saiu rápido.  

O RH deve investigar: O que deixamos passar? 

 Talvez o teste técnico estava com um peso muito alto na seleção, enquanto as perguntas sobre alinhamento cultural foram ignoradas. 

 

 

Stack Tecnológico Necessário 

Você não precisa começar com modelos avançados de Inteligência Artificial. A maturidade analítica cresce com o tempo: 

  1. ATS (Applicant Tracking Systems): ferramentas como Gupy, Greenhouse ou Lever são essenciais para coletar os dados brutos. Sem um ATS, não há dados confiáveis. 
  1. Visualização de Dados: ferramentas como Power BI ou Tableau permitem cruzar os dados do ATS com os dados de folha de pagamento e performance, criando dashboards visuais para a diretoria. 
  1. Testes Comportamentais e Técnicos: plataformas que geram scores de perfil (como DISC ou testes de codificação) fornecem dados quantitativos essenciais para a etapa de triagem. 

 

O Desafio Ético e a LGPD 

Algoritmos aprendem com o passado. Se o histórico de contratações da sua empresa for enviesado (por exemplo, contratando majoritariamente homens para cargos de liderança), o algoritmo pode acabar reproduzindo esse mesmo viés.  excluindo mulheres. 

Por isso, o uso de People Analytics exige supervisão humana ética e deve estar em estrita conformidade com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). Os candidatos precisam saber quais dados estão sendo coletados e como serão usados. 

 

Do Feeling ao Fato 

O principal ponto é que o People Analytics não veio para substituir o recrutador. A empatia, a negociação salarial e a capacidade de vender a cultura da empresa continuam sendo habilidades intrinsecamente humanas e insubstituíveis. 

tecnologia entra para remover o trabalho braçal de triagem e fornecer uma "bússola" precisa. Em um mundo onde errar uma contratação pode custar até 3 vezes o salário anual do cargo, adotar uma mentalidade data-driven não é mais um diferencial, é uma questão de sobrevivência. 

Como sua empresa mede o sucesso do recrutamento hoje?  

Na NCS temos especialistas dedicados e as ferramentas necessárias para dar o avanço necessário para a sua empresa e realizar uma contratação de qualidade. Deixe suas dúvidas e entre em contato conosco para discutir como os dados podem transformar as contratações da sua empresa. 

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Autor

Cristian Guedes | Business Analyst da NCS Consultoria